Avançar para o conteúdo principal

Declaração de voto: Alteração do modelo jurídico da LIPOR – Associação Municipal para gestão de Resíduos do Grande Porto

A proposta de transformação da LIPOR em Empresa Intermunicipal (EIM) surge num contexto em que se reconhecem dificuldades crescentes no modelo atual de associação de municípios. A LIPOR enfrenta atualmente limitações significativas na sua capacidade de manter o nível de serviço exigido, devido à rigidez estrutural do modelo associativo, considerado inapto para garantir a eficiência na gestão de infraestruturas, contratação de pessoal e aquisição de bens e serviços.


Adicionalmente, a necessidade de cumprir metas ambientais ambiciosas, nomeadamente as definidas no PERSU 2030 e nas diretivas europeias, exige investimentos avultados em novas infraestruturas, como instalações de triagem e reciclagem. O atual modelo de financiamento – com os empréstimos da LIPOR a repercutirem-se na capacidade de endividamento dos municípios associados – agrava as limitações financeiras das autarquias, já pressionadas por outras exigências orçamentais.


Face a este cenário, são apresentadas como vantagens do novo modelo (EIM):



  • A libertação da capacidade de endividamento dos municípios, uma vez que os empréstimos contraídos pela EIM apenas terão impacto direto se forem violadas as regras de equilíbrio financeiro;

  • Aumento da flexibilidade na contratação de pessoal, gestão de infraestruturas e acesso a financiamento direto;

  • Manutenção do controlo público, com os municípios como únicos acionistas, e salvaguardas contra a privatização, nomeadamente a inexistência de ações ao portador e o direito de preferência na eventual transferência de participações.


Contudo, consideramos que subsistem preocupações legítimas que merecem reflexão e acompanhamento atento:



  • Apesar das salvaguardas, a transformação em EIM poderá, a médio ou longo prazo, abrir caminho para uma futura privatização parcial?

  • Poderá haver uma redução da influência direta dos municípios nas decisões operacionais, comprometendo a governação democrática e próxima das populações?

  • A eventual distribuição de lucros poderá desviar recursos de investimentos estruturantes, priorizando o retorno financeiro em detrimento do interesse público?

  • Qual será o impacto desta transição sobre os trabalhadores atualmente ao serviço da LIPOR? Estão garantidos os seus direitos e condições de trabalho?


Assim, o voto favorável da CDU é dado com consciência dos benefícios potenciais desta transformação, mas também com reservas que devem ser objeto de acompanhamento e fiscalização permanentes, de modo a garantir que o serviço público e o interesse coletivo permanecem no centro da atuação da LIPOR.


 


Valongo, 30 de junho de 2025


A Coligação Democrática Unitária

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Estacionamento desordenado na Zona Industrial de Alfena compromete a segurança pedonal

  A Zona Industrial de Alfena continua a enfrentar um problema de organização do espaço público que afeta diariamente a segurança e a mobilidade de quem ali trabalha e circula. Em vários arruamentos, os passeios existentes têm largura suficiente para garantir uma circulação pedonal confortável. No entanto, a ausência de uma correta organização do estacionamento faz com que muitos veículos estacionem parcialmente ou totalmente sobre os passeios, obrigando os peões a circular pela faixa de rodagem, muitas vezes entre veículos pesados.    Esta situação resulta, em grande medida, da opção por manter lugares de estacionamento em paralelo, quando a largura disponível permitiria a criação de estacionamento em espinha, aumentando o número de lugares e evitando a ocupação abusiva dos passeios. A atual configuração revela-se desadequada às necessidades da zona industrial e acaba por gerar conflitos permanentes entre veículos e peões. Não estamos perante um problema inevitáv...

Resultados Freguesia de Alfena

 

Orçamento e Grande Opções do Plano para 2026 – Mapa de Pessoal para 2026

A CDU manifesta a sua abstenção na votação do Orçamento e do Plano Plurianual de Investimentos para 2026. Reconhecemos que a proposta apresentada contempla medidas positivas para o concelho, nomeadamente nas áreas da educação, da habitação, da saúde e das creches. No entanto, apesar da relevância e do potencial destas medidas, subsistem fundadas dúvidas quanto à sua efetiva concretização. A experiência de anos anteriores demonstra que diversos orçamentos incluíram obras e investimentos que acabaram por não se materializar. É neste contexto que a CDU opta pela abstenção: uma posição que permite viabilizar o Orçamento, mas que não deixa de expressar reservas quanto à concretização de prioridades estruturais essenciais, como a defesa do direito à habitação e a requalificação das escolas. A defesa do direito à habitação exige mais do que intenções. Exige a concretização de investimentos há muito anunciados, o combate à especulação imobiliária, a melhoria das condições do parque habitaci...