Após várias reuniões de líderes — e também em algumas sessões da Assembleia Municipal, bem como na comunicação social — tem-se ouvido com frequência uma ideia que, apesar de aparentemente inofensiva, é profundamente preocupante: a de que "não sou político" ou "não faço política". Esta afirmação, por vezes repetida com orgulho, representa uma tentativa clara de desvalorizar a própria função democrática dos eleitos.
É precisamente esta ideia — a de que ser político é algo negativo — que importa desconstruir. Ser político é assumir a responsabilidade de intervir na vida coletiva, de contribuir para o bem comum e de colocar o interesse público acima de interesses individuais ou partidários. É assumir o compromisso com causas, com valores e com soluções para os problemas concretos das populações.
Para a CDU, fazer política é um ato de seriedade e entrega, não um meio para proveito pessoal. Mesmo as senhas de presença atribuídas aos eleitos são entregues ao Partido — o que reflete uma prática de total separação entre o exercício de funções públicas e qualquer interesse individual.
Importa também afirmar com clareza que, quando se confronta a gestão da Câmara Municipal na Assembleia Municipal, está-se a fazer política. Mas uma política que se inscreve no pleno cumprimento das funções democráticas atribuídas a este órgão. A Assembleia Municipal tem a responsabilidade de fiscalizar a atividade do executivo, de acompanhar a execução das opções do plano e do orçamento, de zelar pela legalidade das decisões municipais e de dar voz às populações. Esta ação de escrutínio não é um ataque, é uma função essencial à boa governação. Recusar o debate político neste contexto é, na prática, recusar a democracia.
A política não se faz do silêncio, da neutralidade ou da indiferença. Faz-se do debate, da construção de consensos e da pluralidade de opiniões. É normal — e saudável — que existam diferentes perspetivas sobre como resolver um problema. O que engrandece a democracia é precisamente a capacidade de discutir, confrontar ideias e construir soluções conjuntas.
É por isso que a ideia de que o melhor para o país são as maiorias absolutas está errada. Maiorias absolutas podem facilitar a governação, mas dificultam o diálogo, reduzem a exigência da negociação e afastam a política do seu objetivo principal: encontrar, em conjunto, as melhores respostas para todos.
Desvalorizar a política é desvalorizar a democracia. A CDU reafirma o seu compromisso com uma política feita com seriedade, clareza e sempre ao serviço do interesse coletivo.
E, apesar de alguns quererem dizer que não, a verdade é que quem integra uma lista — seja de um partido ou de independentes — torna-se político. E deve dizê-lo com orgulho. Sobretudo quando exerce o cargo para o qual foi eleito com seriedade e honestidade, abdicando do seu tempo pessoal, da vida familiar e do lazer, para estar aqui a cumprir uma missão de serviço público. Isso é política no seu sentido mais nobre. E é disso que a democracia precisa.
Valongo, 28 de abril de 2025
A Coligação Democrática Unitária
Comentários