A elaboração do PERLA representa um passo fundamental e muito bem-vindo na gestão sustentável dos ecossistemas ribeirinhos do concelho. Este plano surge numa altura oportuna, após diversas intervenções que, embora bem-intencionadas, não seguiram as boas práticas de reabilitação de linhas de água.
É de saudar o facto de o documento identificar claramente princípios técnicos e ambientais fundamentais para uma atuação adequada. Se forem efetivamente seguidas as boas práticas descritas, poder-se-á evitar a repetição de atropelos como os que ocorreram em limpezas realizadas de forma voluntarista, sem a devida orientação técnica.
Em particular, importa referir os casos de:
- corte indiscriminado de vegetação ripícola autóctone, como salgueiros, amieiros ou freixos, assim como de vegetação de pequeno porte como silvas, fetos ou ervas ribeirinhas, que contribuem para a estabilidade das margens e servem de abrigo e alimento para a fauna local,
- poda mal executada, descurando a necessidade de ensombramento natural do leito, que é essencial para o equilíbrio térmico e ecológico dos cursos de água,
- e até alterações da geometria natural das secções, com consequências negativas para a dinâmica fluvial, incluindo episódios de linearização artificial do traçado do curso de água.
Para garantir a correta aplicação das orientações do PERLA, é indispensável formar adequadamente os funcionários do município e das juntas de freguesia, dotando-os de conhecimentos técnicos que permitam uma atuação responsável e eficaz. De igual modo, é fundamental que as juntas de freguesia sejam apoiadas e acompanhadas tecnicamente, de forma a cumprirem com o que está previsto no plano, garantindo assim a preservação e valorização do património natural que são as nossas linhas de água.
Façamos com que este plano não seja apenas um conjunto denso de folhas, mas sim uma ferramenta para melhorarmos os nossos recursos ambientais.
Valongo, 28 de abril de 2025
A Coligação Democrática Unitária
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