Avançar para o conteúdo principal

Sobre o 2º aditamento ao contrato de concessão dos serviços de água

A 26 de janeiro de 2016[1], a entidade reguladora dos serviços de água e resíduos emitiu um parecer acerca da proposta de 2º aditamento ao contrato de concessão dos serviços de água do município de Valongo, aprovado a 20 de agosto de 2016 com o voto contra da CDU e a abstenção do PSD.


Na altura, a CDU apresentou as suas reservas relativamente aos pressupostos da renegociação, referindo que novamente estava uma das partes beneficiada – a empresa. Referia a CDU que o cálculo da taxa interna de rentabilidade (TIR) era calculada com pressupostos que a CM não conseguia verificar e que beneficiavam a empresa. Assim, a ERSAR efetuou também os cálculos desta taxa tendo chegado a valores divergentes que vão muito acima das poucas décimas que poderiam ser matematicamente aceitáveis [ver página 6, 5.a) do documento elaborado pelo Dr. Joaquim Manuel Faria Barreiros – técnico contratado pela CM]. Como se pode ler no mesmo documento, a adoção dos pressupostos da ERSAR, em oposição aos usados pela CM, é explicada pela entidade como os reais pressupostos que permite um real partilha de riscos. [Página 7. e)]. A ERSAR vai mais longe e afirma que, ao contrário do previsto pela CM, de aumento dos preços da água, o que deveria acontecer em Valongo era uma “redução tarifária” [página 33 do parecer da ERSAR].


Agora cabe à CM de Valongo, continuar, à revelia da ERSAR (cujo parecer não é vinculativo), com este aditamento, ou seguir as recomendações do regulador, revogando a proposta de revisão. As consequências da revogação da proposta são as seguintes:



  • A empresa aceita uma nova renegociação, mantendo-se os valores pagos pelos valonguenses enquanto o processo decorre, não são incluídas as tarifas sociais e de famílias numerosas, mas mesmo assim, a maioria dos valonguenses sai a ganhar.

  • A empresa não aceita uma nova renegociação e inicia-se um processo num tribunal arbitral, o que no entender da CDU, dificilmente decidirá contra o parecer da entidade e do próprio tribunal de contas, que anteriormente apontou graves erros no contrato existente.


Entretanto, acoplado a este processo, aparece a ampliação da ETAR de Campo, cujo projeto foi aceite para financiamento ao abrigo do POSEUR e que a CM apenas necessita de efetuar o pagamento de 750 mil euros. Diz a CM que a obra seria paga pela empresa se fosse aceite esta revisão, para nós esta argumentação e falsa. Na realidade, seria retirado do caderno de investimentos, a que a empresa está obrigada, este valor, na verdade apenas haveria um encaminhamento das verbas para este projeto, deixando a empresa de aplicar os 750 mil euros em obras de conservação e melhoria a que está obrigada. Desde já, a CDU está disponível para uma revisão orçamental que permita a obra na ETAR de Campo, mas que não seja esse o motivo para a votação deste aditamento, que na opinião da CDU, só prejudica os Valonguenses.


 


06 de julho de 2016


A Coligação Democrática Unitária


 


[1] Note-se que apesar do parecer da entidade ter ocorrido a 26 de janeiro, só agora a CDU toma conhecimento da sua existência.


 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Estacionamento desordenado na Zona Industrial de Alfena compromete a segurança pedonal

  A Zona Industrial de Alfena continua a enfrentar um problema de organização do espaço público que afeta diariamente a segurança e a mobilidade de quem ali trabalha e circula. Em vários arruamentos, os passeios existentes têm largura suficiente para garantir uma circulação pedonal confortável. No entanto, a ausência de uma correta organização do estacionamento faz com que muitos veículos estacionem parcialmente ou totalmente sobre os passeios, obrigando os peões a circular pela faixa de rodagem, muitas vezes entre veículos pesados.    Esta situação resulta, em grande medida, da opção por manter lugares de estacionamento em paralelo, quando a largura disponível permitiria a criação de estacionamento em espinha, aumentando o número de lugares e evitando a ocupação abusiva dos passeios. A atual configuração revela-se desadequada às necessidades da zona industrial e acaba por gerar conflitos permanentes entre veículos e peões. Não estamos perante um problema inevitáv...

Resultados Freguesia de Alfena

 

Orçamento e Grande Opções do Plano para 2026 – Mapa de Pessoal para 2026

A CDU manifesta a sua abstenção na votação do Orçamento e do Plano Plurianual de Investimentos para 2026. Reconhecemos que a proposta apresentada contempla medidas positivas para o concelho, nomeadamente nas áreas da educação, da habitação, da saúde e das creches. No entanto, apesar da relevância e do potencial destas medidas, subsistem fundadas dúvidas quanto à sua efetiva concretização. A experiência de anos anteriores demonstra que diversos orçamentos incluíram obras e investimentos que acabaram por não se materializar. É neste contexto que a CDU opta pela abstenção: uma posição que permite viabilizar o Orçamento, mas que não deixa de expressar reservas quanto à concretização de prioridades estruturais essenciais, como a defesa do direito à habitação e a requalificação das escolas. A defesa do direito à habitação exige mais do que intenções. Exige a concretização de investimentos há muito anunciados, o combate à especulação imobiliária, a melhoria das condições do parque habitaci...