Avançar para o conteúdo principal

É tempo de mudar

Neste ano, os portugueses serão chamados à urnas por três vezes: nas eleições para o Parlamento Europeu, nas eleições para a Assembleia da República e nas eleições para as Autarquias.

Estou em crer que os actos eleitorais deste ano constituem uma oportunidade singular para a afirmação, pelos seus resultados, de uma clara condenação da política que até aqui tem sido desenvolvida quer pelo PS no Governo, quer pelo PSD na Câmara de Valongo e na Junta de Freguesia de Ermesinde.

Na Câmara de Valongo e na Junta de Ermesinde, o PSD é como que um “peso morto”: durante três anos, nenhum investimento relevante se viu no concelho e na freguesia e só agora é que tiveram início algumas pequenas obras – arranjos de passeios e arruamentos, sobretudo –, cujo objectivo é fazer esquecer os últimos três anos de manifesta estagnação em termos de desenvolvimento.

Vale igualmente a pena reflectir sobre as razões que explicam que só este ano tenham começado a aparecer comunicados, cartas, jornais e visitas do PS denunciando os problemas da gestão PSD e apontando o que devia ter sido feito e não foi. É caso para perguntar: o que esteve o PS a fazer nos últimos três anos? Que oposição é esta, que só denuncia e propõe no ano das eleições? Será que, nos órgãos onde que têm assento – e onde tem até o mesmo ou quase o mesmo número de eleitos que o PSD –, os representantes do PS têm efectivamente correspondido às exigências do mandato que os cidadãos lhes concederam através do voto?

Os outdoors colocados pelo PS por todo o concelho usam o conhecido lema “É tempo de mudar”, que tem sido usado pela CDU no plano nacional. No caso do PS, porém, a dúvida é imediata: é tempo de mudar para quê? Mudar as caras, deixando tudo na mesma? Mudar de políticos sem mudar as políticas? Ou mudar como mudou o PS a nível nacional quando sucedeu à coligação PSD/CDS-PP, conseguindo ir, em diversos sectores, ainda mais longe do que o Governo mais à direita que até então havíamos tido?

Antes das eleições legislativas 2005, o PS nacional também prometia mudanças: no código de trabalho, na saúde, na educação, na política económica e de criação de emprego, entre outras. E, realmente, Portugal mudou: a precariedade do emprego aumento, o desemprego cresceu, a dificuldade de acesso aos serviços públicos agravou-se. Incontestavelmente, a maioria dos Portugueses sente todos os dias na pele os efeitos destas mudanças e das promessas não cumpridas.

É tempo de pensar no que efectivamente queremos para Portugal e, em particular, para Valongo. É tempo de mudar, sim, mas de mudar verdadeiramente, de mudar para melhor, rompendo com a alternância sem alternativa que tem governado o país e o concelho.



Por: Sónia Sousa


Publicado na Voz de Ermesinde

Comentários

Atento disse…
Sem dúvida, concordo com muita coisa deste texto... de facto é necessário mudar,mudar de estratégia, mudar os nossos políticos, muda-los por pessoas com competências...

E quando digo mudar digo-o também em relação a si Dra. Sónia Sousa, que está a mais na junta de ermesinde. Já deu o seu show agora dê a vez a outros... é tempo de mudar cara doutora... o seu tempo está a chegar ao fim.
Ermesinde merece melhor do que um executivo composto por incopententes, alguns deles, ou delas, melhor dizendo, com a mania da sabedoria... pensam que são uns iluminados quando na verdade não passam de uns simples ignorantes.

José Ferreira disse…
Caro atento, nem sempre a embalagem revela o conteúdo De "atento" é evidente que tem pouco como revela o seu comentário.
Carlos Coutinho disse…
O Atento ou é desatento ou mal intencionado. Inclino-me mais para esta 2ª hipótese. A eleita da CDU só não desenvolveu alguma obra na Junta, porque a maioria nunca lhe deu essa possibilidade, entregando-lhe um pelouro. Mas o conteúdo deste blogue diz tudo sobre as diligências e propostas que fez ao longo do mandato, algumas das quais deram frutos, apesar de tudo. O sr. Atento, que se esconde por trás de tão conveniente embuste, não chame incompetente a quem o não merece e veja se se eleva um pouco acima da maledicência gratuita e malcriada.

Mensagens populares deste blogue

Estacionamento desordenado na Zona Industrial de Alfena compromete a segurança pedonal

  A Zona Industrial de Alfena continua a enfrentar um problema de organização do espaço público que afeta diariamente a segurança e a mobilidade de quem ali trabalha e circula. Em vários arruamentos, os passeios existentes têm largura suficiente para garantir uma circulação pedonal confortável. No entanto, a ausência de uma correta organização do estacionamento faz com que muitos veículos estacionem parcialmente ou totalmente sobre os passeios, obrigando os peões a circular pela faixa de rodagem, muitas vezes entre veículos pesados.    Esta situação resulta, em grande medida, da opção por manter lugares de estacionamento em paralelo, quando a largura disponível permitiria a criação de estacionamento em espinha, aumentando o número de lugares e evitando a ocupação abusiva dos passeios. A atual configuração revela-se desadequada às necessidades da zona industrial e acaba por gerar conflitos permanentes entre veículos e peões. Não estamos perante um problema inevitáv...

Resultados Freguesia de Alfena

 

Orçamento e Grande Opções do Plano para 2026 – Mapa de Pessoal para 2026

A CDU manifesta a sua abstenção na votação do Orçamento e do Plano Plurianual de Investimentos para 2026. Reconhecemos que a proposta apresentada contempla medidas positivas para o concelho, nomeadamente nas áreas da educação, da habitação, da saúde e das creches. No entanto, apesar da relevância e do potencial destas medidas, subsistem fundadas dúvidas quanto à sua efetiva concretização. A experiência de anos anteriores demonstra que diversos orçamentos incluíram obras e investimentos que acabaram por não se materializar. É neste contexto que a CDU opta pela abstenção: uma posição que permite viabilizar o Orçamento, mas que não deixa de expressar reservas quanto à concretização de prioridades estruturais essenciais, como a defesa do direito à habitação e a requalificação das escolas. A defesa do direito à habitação exige mais do que intenções. Exige a concretização de investimentos há muito anunciados, o combate à especulação imobiliária, a melhoria das condições do parque habitaci...