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Menos Estado? Certamente, mas só para os trabalhadores.Mais Estado?Concerteza, mas só para os ricos!




 


Nos dias que correm, a crise é manchete de jornais e telejornais por todo o mundo. Mas não a crise que afecta os trabalhadores -  a crise do desemprego maciço e dos salários em atraso, a crise dos sistemas de saúde e ensino públicos, a crise do ambiente, a crise da guerra, da doença e da fome - em suma a crise habitual do capitalismo. Fala-se e escreve-se abundantemente da outra crise, daquela que os banqueiros criaram, enchendo-se, e para a qual exigem agora dos seus Estados que paguem, com o dinheiro dos contribuintes, enriquecendo-os a eles ainda mais e mais.



 

A Europa pressiona a América para que injecte milhões na banca privada daquele país e salve ao mesmo tempo a banca europeia da bancarrota, enriquecendo-a à custa dos trabalhadores e dos contribuintes. A banca americana pressiona os seus homens de mão no Congresso para que lhes dêem a massinha do tesouro público (isto num país cuja dívida pública é maior que as dívidas de todos os países do mundo juntas e onde não existe segurança social digna desse nome). E a banca europeia, incluindo a portuguesa, vai manobrando nos bastidores e às escâncaras para que os seus governos lhes dêem o dinheiro dos contribuintes de mão beijada. Já não lhes basta os juros que aumentam a seu bel-prazer,  que nos vêm fazendo pagar, desde há anos a esta parte.  

 


Nos dias que correm podemos perceber melhor o que quer dizer o estafado discurso do Sr. Cavaco Silva, do Sr. Sócrates e doutros da mesma escola, sobre o menos Estado. O menos Estado destes nossos mandantes é: menos saúde pública e menos medicamentos comparticipados, menos segurança social, menos escola pública, menos universidade pública, menos reformas, menos e mais caros transportes públicos, menos caminhos-de-ferro, menos habitação social, menos apoios para o desporto (cujos frutos amargos se colheram nos recentes Jogos Olímpicos), menos serviços públicos de todo o tipo, mais impostos para quem trabalha, mais e mais juros nos empréstimos da habitação, etc., etc...


 


O menos Estado dos políticos ao serviço do capital é mais Estado para os ricos e capitalistas - mais empresas públicas vendidas ao desbarato, mais edifícios  e terrenos públicos vendidos a preços de saldo aos amigos e compadres, mais empregos do Estado para os afilhados, mais obras públicas desnecessárias para darem lucros aos empreiteiros e à banca, mais perdões fiscais para os bancos, para as seguradoras e grandes empresas privadas, mais reformas milionárias pagas pelo Estado a meia dúzia de gestores reformados aos 40 anos, mais subsídios chorudos para os colégios e universidades privadas, mais privatizações da água, das auto-estradas, da GALP, da electricidade e de tudo e mais alguma coisa, mais aumento da repressão em nome do combate ao dito terrorismo, e agora mais dinheiro para os salvar da crise que eles próprios incubaram durante anos. É esta a verdade sobre a conversa do menos Estado, que todos os dias nos fazem querer acreditar que é o que nos convém, aos que trabalhamos e vivemos unicamente do nosso trabalho honesto.

 


O resultado desta política está à vista.


Que será preciso explicar


ainda mais?


 


 


Organização de Ermesinde do PCP


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