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Rio Leça: Tomada de posição da CDU na Junta de Freguesia de Ermesinde

Ao tomarmos conhecimento que o Sr. Presidente da Junta esteve numa reunião em que se discutiu a despoluição do Rio Leça, achámos que seria oportuno uma tomada de posição do Executivo da Junta sobre o assunto. Para que pudéssemos dar um contributo válido para a discussão do tema, efectuámos uma visita pela área envolvente do Rio Leça.


Actualmente, o Rio Leça, com uma extensão que não ultrapassará os 43 km e caudais bastante reduzidos, não apresenta qualquer tipo de uso consumptivo em mais de 50% da sua extensão, sendo utilizado quase exclusivamente para descargas de águas residuais industriais e urbanas, muitas delas sem qualquer tratamento. Dos aspectos observados, pensamos ser importante salientar os seguintes:



  • É a partir da Travagem que o Rio vê drasticamente agravados os seus níveis de poluição, como pode ser aferido pelo aspecto da água, pelo cheiro e pelo estado de degradação das suas margens. Se é certo que o Leça chega à freguesia de Ermesinde poluído, não é menos verdade que é a partir da Ribeira de Sonhos que a situação se torna verdadeiramente crítica, sendo particularmente grave a partir da Travagem, curiosamente onde está situada a ETAR.
  • É comum a todo o percurso que o Rio Leça faz no concelho de Valongo o abandono e degradação das suas margens, inclusivamente dos espaços outrora utilizados como áreas de recreio e lazer. Regista-se a total ausência de um plano de valorização da envolvente do Rio que seja capaz de aproveitar as suas potencialidades culturais, lúdicas, recreativas e desportivas.
  • Apesar da manifestação, por parte da Câmara Municipal de Valongo (CMV), da intenção de recuperar alguns dos moinhos do Leça, não há ainda qualquer intervenção em curso; ademais, parece à CDU não ser frutífera a mera museificação destes moinhos, na medida em que tal intervenção dificilmente implicará a comunidade e atrairá a população para a defesa do Rio e do património a ele associado.
  • É extremamente grave a situação do Rio Leça na zona da antiga Resineira, na Travagem. O projecto imobiliário que está a ser concretizado pela SOCER está, aparentemente, a desrespeitar as margens do rio.
  • Mais à frente, junto à ETAR de Ermesinde, a situação é ainda mais negativa: em certos pontos, o Rio é um esgoto a céu aberto. Junto ao MaiaShopping, por exemplo, no local onde a Ribeira da Gandra conflui com o Leça, o cheiro é nauseabundo e a água parece tudo menos água. O mesmo acontece em diversos outros pontos de confluência no Rio de pequenos cursos de água, os quais são apenas canais de escoamento de águas residuais domésticas sem qualquer tratamento.
  • O debate não pode negligenciar a questão do funcionamento da ETAR de Ermesinde. Apresentada, em meados da década de 1990, com um dos elementos indispensáveis à melhoria da qualidade da água e à revalorização de todo o Rio, a ETAR de Ermesinde está longe de poder ser considerada um sucesso no que a estes objectivos concerne. Tendo em conta os elementos recolhidos na visita da CDU, está longe de ser eficiente o funcionamento desta unidade de tratamento de águas residuais. Deverão, por isso, e com urgência, ser tornados públicos os dados relativos à capacidade e índices de tratamento desta ETAR.


Por tudo isto, a CDU pretende que o Sr. Presidente pressione os órgãos competentes, questionando-os sobre os seguintes pontos:



  • Quando serão desobstruídas e limpas as margens do rio?
  • Quando será iniciado o processo de despoluição dos efluentes e de todas as linhas de água que nele confluem?
  • Quando será assegurado o funcionamento correcto e eficiente da ETAR, de forma a que esta dê um contributo para a despoluição do Rio, ao invés de ser mais um factor da sua degradação?
  • Quando será iniciada uma campanha de sensibilização e educação ambiental que vise a valorização do património natural concelhio?

Esperamos que na reunião realizada tenham sido abordados estes aspectos e tenham sido estipulados prazos para a concretização destes objectivos. Se tal não aconteceu, pensamos que a Junta de Ermesinde deve fazer à CMV um pedido de esclarecimento sobre o assunto.




Ermesinde, 5 de Julho de 2006

Comentários

Lino Soares disse…
A ETAR é uma vergonha. De forma alguma pode ser considerada minimamente um sucesso!Ésucesso aquilo que, neste caso ,fosse construída para solução do tratamento das águas que lá vão cair,exactamente, para tratamento.O que acontece é exactamente o contrário.É uma autêntica vergonha! A visita realizada, deu para ver apenas uma pequena amostra do leito do «Rio» Leça.É promover-se nova visita para além da zona da Travagem, em vários pontos de Aguas Santas, Ardegães e por aí adiante.É urgente fazer-se nova visita e denunciar fortememte esta situação de forma a ENVERGONHAR AS CÃMARAS DE VALONGO, DA MAIA E DE MATOSINHOS por não tomarem medidas surgentes para corrigir o leito do Rio Leça.tem que se chamar atenção de muita,muita gente.

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