Avançar para o conteúdo principal

AF Ermesinde - Comemorações do 25 de Abril

Sr.es Presidente da Assembleia e da Junta de Freguesia


Senhores membros da Assembleia e da Junta


Caros concidadãos


 


Quando se deu a Revolução de 25 de Abril, de que comemoramos agora os 41 anos, estava no fim a grande vaga de emigração que tivera início no fim dos anos de 1950. Gente válida, trabalhadora, famílias inteiras, fugidas à miséria dos meios rurais e mesmo de algumas áreas urbanas. A sangria, resultado da política de miséria do fascismo, durara vinte anos e deixara para trás um vazio irremediável e o país ainda mais pobre.


Prosseguia ainda outro tipo de emigração, tão dramática como a primeira, dos jovens que se recusavam a fazer a guerra colonial, que se arrastava havia 13 longos e dolorosos anos e dos adversários do regime, muitos deles já então quadros qualificados. Eram os nossos anos de chumbo, pesados, manchados de sangue e de angústia.


A revolução, generosa, popular, varreu o país de ponta a ponta, libertou forças e energias escondidas, reprimidas, libertou a voz há tanto presa nas gargantas, fez renascer a esperança. Permitiu o regresso de muitos, forçados a abandonar a terra, por motivos económicos, por discordâncias políticas, por recusa a matar e a morrer numa guerra sem sentido.


25 de Abril quis e ainda quer dizer mudança, profunda e generosa, quer dizer esperança, quer dizer projeto, quer dizer Liberdade, quer dizer valores humanistas e democráticos, quer dizer partilha com justiça dos bens produzidos.


Mas nunca quis dizer fome, ou desemprego, ou emigração, ou participação em novas guerras, ou futuro incerto para os que trabalharam uma vida inteira e para os que precisam agora de se iniciar nos caminhos da vida ativa e se vêm forçados a sair do país para, melhor ou pior, o conseguirem. Não, essas palavras não fazem parte do léxico dos valores da Revolução de 25 de Abril.


Passados 40 anos, estamos outra vez confrontados com nova e persistente vaga de emigração. Resultado da ação desastrosa e persistente de governos e de políticas que, em desfavor de todas as classes trabalhadoras e do país, meteram na gaveta os valores do 25 de Abril.


Nos últimos anos saíram de Portugal à procura de trabalho e vida no estrangeiro, perto de 400 mil pessoas, jovens na sua maioria. Mas também muitos, menos jovens, com vidas organizadas se viram de repente privados de meios de subsistência e foram forçados a deixar tudo para trás para não irem à esmola. A tragédia continua. Os efeitos da atual vaga de emigração serão ainda mais funestos para o futuro imediato do país, pois esta é a vaga de emigração dos quadros técnicos e científicos, dos que estudaram aprenderam profissões qualificadas e se prepararam para participarem no desenvolvimento de um país progressivo e soberano e a quem é recusada essa possibilidade.


Não é nada disto que está inscrito nos valores do 25 de Abril, mas é pelo contrário, a consequência do abandono do seu projeto democrático e libertador. O que talvez explique a confusão de muitos, mais jovens e já não tão jovens, nascidos depois do 25 de Abril ou que eram então crianças, que pretendem que o 25 de Abril já não lhes diz nada, se é que alguma vez disse…


Concluo, com a convicção de que só a retomada dos caminhos e dos valores do 25 de Abril, permitirá ao país sair da profunda crise social, económica e até moral em que se encontra e criar as condições para o desenvolvimento de todos, que é a condição básica e indispensável para o desenvolvimento de cada um.


Viva o 25 de Abril!


 


Os eleitos pelo Partido Comunista Português na AF de Ermesinde

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Jantar de apoio à Candidatura da CDU junta meia centena de pessoas em Sobrado

Realizou-se no passado dia 15 de Agosto, em Sobrado, um jantar de apoiantes da Candidatura local da CDU às próximas eleições autárquicas. O jantar juntou perto de meia centena de pessoas, numa demonstração do crescente dinamismo que, nesta freguesia, a CDU tem demonstrado, e ao qual tem aderido um número crescente de Sobradenses.     Na iniciativa participaram os Candidatos da CDU à Câmara e Assembleia Municipal de Valongo, respectivamente José Caetano e Adriano Ribeiro, e ainda o Coordenador da CDU/Valongo, Adelino Soares e o Candidato da CDU à Junta de Freguesia de Sobrado, Guilhermino Almeida. Este último mostrou-se "muito entusiasmado com o crescente apoio dos Sobradenses à Candidatura da CDU" e manifestou a sua confiança num bom resultado desta força política nas próximas autárquicas. "Vamos crescer, vamos aumentar a nossa votação, e assim vamos ter mais força para defender o Povo de Sobrado", disse.     Já José Caetano, Candidato da CDU à Presidência da Câmara...

Festa do Avante! - Uma festa para todos

  É já nos próximos dias 4, 5 e 6 de Setembro que a Quinta da Atalaia abre portas à 33ª edição da Festa do Avante! , justamente considerada a maior iniciativa político-cultural que se realiza no nosso país. A Festa do Avante! inclui no seu programa um amplo conjunto de iniciativas, em áreas tão diversas como a música, o desporto, as artes plásticas, o teatro, os debates e exposições, a ciência, o artesanato e a gastronomia regional e a intervenção política do PCP, elementos que todos os anos constituem renovados motivos de interesse para os seus habituais visitantes, mas também para todos os que pela primeira vez a visitam. A Festa do Avante! , desde sempre ligada ao órgão central do PCP – O Avante/ –, que lhe dá o nome, é fruto da criatividade e imaginação, da vontade e trabalho de muitos milhares de militantes comunistas e é inseparável da capacidade de realização do PCP, constituindo todos os anos uma verdadeira homenagem ao trabalho, à militância e à luta por uma socie...

Honório Novo visita Campo por causa do problema da A41

O deputado do PCP na Assembleia da República, Honório Novo, visita amanhã, Sábado, 4 de Julho, a freguesia de Campo , para conhecer de perto o problema do traçado projectado para a A41, que prejudicará as populações do Alto da Ribeira e do Pinheiro Manso, ao isolá-las do resto da freguesia.   O problema foi denunciado pelos eleitos da CDU nas recentes reuniões da Assembleia Municipal de Valongo e da Assembleia de Freguesia de Campo. O descontentamento das populações afectadas é evidente. Em causa está a construção da nova autoestrada A41, que em parte vai atravessar Campo, e dos respectivos acessos à Via Distribuidora que a Autarquia está a construir naquela freguesia. De acordo com o projecto existente, a obra isolará as populações do Alto da Ribeira e do Pinheiro Manso (Lamosas), situadas numa área mais excêntrica de Campo.   Questionado na Assembleia Municipal sobre qual tinha sido a posição da Câmara face a este projecto, o Presidente da Câmara, Fernando Melo, não esclareceu a CDU....