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Valongo: vice-presidente demite-se preocupado com "descalabro da situação financeira"

Porto, 30 Jun (Lusa) - O vice-presidente da Câmara de Valongo, João Queirós, apresentou hoje a sua demissão "preocupado com o descalabro da situação financeira e com o aumento da dívida, que corre o risco de ser tão elevada quanto a de 2005".


Contactado pela Lusa, o autarca admitiu ter entregue hoje o seu pedido de demissão ao presidente da autarquia, o social-democrata Fernando Melo, mas garantiu que irá continuar como vereador, ainda que sem pelouros - João Queirós detinha as Finanças, Protecção Civil e património Municipal, entre outros.


"Demito-me por uma razão de fundo: tornou-se impossível, nos últimos tempos, manter a contenção de despesas que permitiu reduzir a dívida dos 20,5 milhões de 2005 para os 6,8 a 6,9 milhões de 2008", disse à Lusa, garantindo a sua intenção de "cumprir o mandato até ao fim".


O vereador disse que chegou a pensar demitir-se "quando o presidente da câmara decidiu recandidatar-se e retirou poderes a vários vereadores".


Nessa ocasião, vários vereadores afectados nos seus pelouros optaram por se demitir, mas o vice-presidente manteve as funções.


João Queirós, que perdeu o pelouro das Obras Municipais, optou por não se demitir porque "sair poderia ainda ser pior para as contas do município: dentro da câmara, com o pelouro das Finanças, ao menos poderia tentar controlar a situação".


Mas o autarca disse não ter conseguido cumprir essa missão: "dos 6,9 milhões de dívida passou-se recentemente para 17,2 milhões".


"A mim isso mete-me uma confusão terrível. Várias vezes manifestei as minhas preocupações ao presidente, mas não tive qualquer resultado", disse, apontando como exemplo do "despesismo" a que diz estar a assistir o programa de construção e recuperação de escolas do concelho, um projecto que implicará investimentos de 25 milhões de euros.


"Com a frente de obra das escolas em execução, as facturas dos autos de medição continuam a chegar e a minha preocupação cresce ainda mais", disse, adiantando que "em dois ou três meses, a dívida da câmara arrisca-se assim a subir acima dos valores de 2005".


A Lusa tentou obter um comentário da Câmara de Valongo mas até ao momento tal não foi possível.


MSP


Lusa/Fim


 


Um concelho sem rumo, sem liderança e sem equipa.


Até quando?

Comentários

Jose Caetano disse…
Era o esperado, na última assembleia municipal, no dia 29/6 questionei o Dr. Fernando Melo, sobre esta dívida (mais de 17 milhões de euros). Esta dívida a curto prazo, é na sua maioria a fornecedores e pequenas empresas, o que deixa estes em muito má situação e a não poder cumprir os seus compromissos, como seja pagar salários aos seus trabalhadores.
A resposta que o Dr. Fernando Melo me deu, foi que o que era preciso era mostrar "obra " .
O Dr. Fernando Melo tem que perceber que os dinheiros da Câmara de Valongo, são dinheiros públicos e dos impostos dos Valonguenses. A Câmara de Valongo não pode ser um feudo do Dr. Fernando Melo.
Andou bem o Dr. João Queirós
Maresta disse…
Pois a mim parece-me que aqui há gato escondido.
O vice-presidente demite-se a meses das eleições, argumentando razões que difícilmente lhe seriam desconhecidas até agora.
Porque não o fez antes, e aguardou até agora?
E se realmente a sua "preocupação" cresce, esta é a maneira menos credível de o demonstrar.
Haverá com certeza muitas explicações a dar, nos próximos dias...
Provedor disse…
Hoje na reunião pública da Câmara, quanto o ex.Vice tentou explicar, o Dr. Fernando Melo acabou com a reunião.
"Tem razão" a sua lider partidária, quando afirmou -que por vezes era bom suspender a democracia.
Zá disse…
Isso é mentira. O fraco do queirós já tinha falado. a palavra foi cortada à Maria josé que no entanto já tinha esgotado os seus 3 minutos...
zeca disse…
tá bem, zá. leva a bicilcleta.
...e cortou a palavra á Maria José porquê?
Claro que, para não dar continuidade de conversa á posição do Queiróz.
Ou não?

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