Colóquio: "As causas e consequências das transformações económicas da revolução de Abril e o estado da economia no Portugal de hoje"
Realiza-se na próxima 6ª Feira, pelas 21h30, no auditório da Quinta da Caverneira - Águas Santas, Maia - um colóquio no qual se pretende analisar as causas e consequências das transformações económicas do 25 de Abril de 1974, bem como as suas repercussões na situação actual do país. O colóquio, da responsabilidade das Comissões Concelhias de Valongo e da Maia do PCP, contará com a presença do economista e ex-eurodeputado Sérgio Ribeiro, reconhecido especialista nesta área.
A Comissão Concelhia de Valongo do PCP
A Comissão Concelhia da Maia do PCP
A Comissão Concelhia de Valongo do PCP
A Comissão Concelhia da Maia do PCP
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Este texto, com algumas modificações, pode ser lido na edição de "A Voz de Ermesinde" desta quinzena.
Colóquio “As causas e as consequências das transformações económicas da Revolução de Abril…e o estado da economia no Portugal de hoje”
Com Sérgio Ribeiro, economista, membro do Comité Central do PCP e ex-deputado no Parlamento Europeu (durante 11 anos).
O Colóquio decorreu na Quinta da Caverneira, espaço público cedido para o efeito pela Câmara Municipal da Maia.
O orador foi apresentado, em breves palavras, por Pedro Ferreira, membro da Comissão Concelhia da Maia do PCP. Salientou o facto de esta ser a primeira de uma série de iniciativas a realizar conjuntamente pelas Comissões Concelhias da Maia e de Valongo do PCP, dada a vizinhança dos dois concelhos e a necessidade de integrar iniciativas deste género, chamando assim outros públicos às iniciativas do Partido.
Depois, e durante mais de três horas, Sérgio Ribeiro deliciou a assistência com uma exposição a um tempo clara e profunda sobre os caminhos da Economia portuguesa desde os tempos do condicionamento industrial do salazarismo, até aos dias de hoje, passando pelas transformações estruturais realizadas na sequência da Revolução de Abril.
Procuraremos fazer uma transcrição, necessariamente incompleta, e em discurso directo, das principiais linhas da comunicação de Sérgio Ribeiro, bem como das questões mais pertinentes que lhe foram colocadas pelos participantes no colóquio. Digamos que o texto que se segue é uma transcrição “semi-estenográfica” do colóquio.
“Há décadas que procuro conversar. É uma das minhas tarefas como economista há perto de 50 anos. O tema de hoje - - dava para um curso de economia política, pelo menos semestral, mas teremos de o desenvolver nas duas ou três horas disponíveis. Destas conversas procuro sempre que levemos mais dúvidas que as que trouxemos, para meditarmos. Meditarmos como estamos a viver e porque estamos a viver assim.
As transformações económicas decorrentes do 25 de Abril têm muito a ver com a Economia Política do fascismo; com 48 anos de uma economia na aparência estagnada, de crescimento o mais lento possível e contenção das necessidades populares. Esta economia fechada levou a que no final dos anos 50 o país tivesse uma economia atrasada, rural, com a ignorância como opção estratégica e com a criação de grupos monopolistas domésticos, que dominam a economia. O nível de satisfação económica era baixíssimo; Salazar (que era professor de Finanças, não de Economia, de que percebia pouco) intervinha permanentemente, mantendo as Finanças equilibradas na estagnação. Isto era anti-histórico porque desumano; não era possível manter esta situação no processo histórico. No pós-guerra dá-se a necessária abertura, a economia tinha necessariamente de se abrir ao mundo; aparece a Siderurgia. Salazar não queria a Siderurgia no Seixal porque era muito perto da CUF e isso seria, no entender dele, muito operário junto; no entanto prevaleceu o interesse de Champalimaud, que impôs que a Siderurgia ficasse mesmo no Seixal, contrariando a vontade do ditador. Mesmo dentro do regime havia contradições e se as forças produtivas se desenvolviam, a organização tinha de se modificar necessariamente.
No entanto, não entramos na CEE na passagem da década de 50 para a de 60, mas na EFTA, contra alguma vontade de Salazar, que pretendia que tudo se desenvolvesse muito devagar, o mais possível devagar. Havia, no entanto, empresários que pretendiam que o país não fosse apenas um resto do nazi-fascismo no pós-guerra.
A tímida abertura do final dos anos 50, sofre uma reviravolta com o início da guerra colonial em 1961 e a economia volta a fechar-se. Os anos 60 são de extraordinárias transformações: aparece a inflação, até aí desconhecida (a taxa de juro era de 2% e não saía disso), aparece o desemprego, que até aí não havia