Avançar para o conteúdo principal

Colóquio: "As causas e consequências das transformações económicas da revolução de Abril e o estado da economia no Portugal de hoje"

Realiza-se na próxima 6ª Feira, pelas 21h30, no auditório da Quinta da Caverneira - Águas Santas, Maia - um colóquio no qual se pretende analisar as causas e consequências das transformações económicas do 25 de Abril de 1974, bem como as suas repercussões na situação actual do país. O colóquio, da responsabilidade das Comissões Concelhias de Valongo e da Maia do PCP, contará com a presença do economista e ex-eurodeputado Sérgio Ribeiro, reconhecido especialista nesta área.

A Comissão Concelhia de Valongo do PCP
A Comissão Concelhia da Maia do PCP

Comentários

Carlos Coutinho disse…
O Colóquio com o economista comunista Sérgio Ribeiro foi um momento de grandíssima qualidade e interesse, com casa cheia e participação interessada. Alguns jovens que faltaram à chamada, perderam uma boa oportunidade de se enriquecerem com uma lição magistral sobre os percursos da Economia portuguesa no tempo do fascismo e nos anos depois do 25 de Abril. Sérgio Ribeiro, como sempre, maravilhou-nos com a sua exposição clara, profunda e brilhante, que colou literalmente a assistência às cadeiras durante quatro horas.
Lino Soares disse…
De acordo com o comentário do Carlos Coutinho.São estas iniciativas, autênticos Cursos de Formação Política.Realizem-se novas iniciativas nesse âmbito.
carlos coutinho disse…
Para todos os interessados, deixo aqui um resumo das notas pessoais que tirei no colóquio a que se refere este "post".

Este texto, com algumas modificações, pode ser lido na edição de "A Voz de Ermesinde" desta quinzena.


Colóquio “As causas e as consequências das transformações económicas da Revolução de Abril…e o estado da economia no Portugal de hoje”

Com Sérgio Ribeiro, economista, membro do Comité Central do PCP e ex-deputado no Parlamento Europeu (durante 11 anos).

O Colóquio decorreu na Quinta da Caverneira, espaço público cedido para o efeito pela Câmara Municipal da Maia.

O orador foi apresentado, em breves palavras, por Pedro Ferreira, membro da Comissão Concelhia da Maia do PCP. Salientou o facto de esta ser a primeira de uma série de iniciativas a realizar conjuntamente pelas Comissões Concelhias da Maia e de Valongo do PCP, dada a vizinhança dos dois concelhos e a necessidade de integrar iniciativas deste género, chamando assim outros públicos às iniciativas do Partido.

Depois, e durante mais de três horas, Sérgio Ribeiro deliciou a assistência com uma exposição a um tempo clara e profunda sobre os caminhos da Economia portuguesa desde os tempos do condicionamento industrial do salazarismo, até aos dias de hoje, passando pelas transformações estruturais realizadas na sequência da Revolução de Abril.

Procuraremos fazer uma transcrição, necessariamente incompleta, e em discurso directo, das principiais linhas da comunicação de Sérgio Ribeiro, bem como das questões mais pertinentes que lhe foram colocadas pelos participantes no colóquio. Digamos que o texto que se segue é uma transcrição “semi-estenográfica” do colóquio.

“Há décadas que procuro conversar. É uma das minhas tarefas como economista há perto de 50 anos. O tema de hoje - - dava para um curso de economia política, pelo menos semestral, mas teremos de o desenvolver nas duas ou três horas disponíveis. Destas conversas procuro sempre que levemos mais dúvidas que as que trouxemos, para meditarmos. Meditarmos como estamos a viver e porque estamos a viver assim.

As transformações económicas decorrentes do 25 de Abril têm muito a ver com a Economia Política do fascismo; com 48 anos de uma economia na aparência estagnada, de crescimento o mais lento possível e contenção das necessidades populares. Esta economia fechada levou a que no final dos anos 50 o país tivesse uma economia atrasada, rural, com a ignorância como opção estratégica e com a criação de grupos monopolistas domésticos, que dominam a economia. O nível de satisfação económica era baixíssimo; Salazar (que era professor de Finanças, não de Economia, de que percebia pouco) intervinha permanentemente, mantendo as Finanças equilibradas na estagnação. Isto era anti-histórico porque desumano; não era possível manter esta situação no processo histórico. No pós-guerra dá-se a necessária abertura, a economia tinha necessariamente de se abrir ao mundo; aparece a Siderurgia. Salazar não queria a Siderurgia no Seixal porque era muito perto da CUF e isso seria, no entender dele, muito operário junto; no entanto prevaleceu o interesse de Champalimaud, que impôs que a Siderurgia ficasse mesmo no Seixal, contrariando a vontade do ditador. Mesmo dentro do regime havia contradições e se as forças produtivas se desenvolviam, a organização tinha de se modificar necessariamente.
No entanto, não entramos na CEE na passagem da década de 50 para a de 60, mas na EFTA, contra alguma vontade de Salazar, que pretendia que tudo se desenvolvesse muito devagar, o mais possível devagar. Havia, no entanto, empresários que pretendiam que o país não fosse apenas um resto do nazi-fascismo no pós-guerra.
A tímida abertura do final dos anos 50, sofre uma reviravolta com o início da guerra colonial em 1961 e a economia volta a fechar-se. Os anos 60 são de extraordinárias transformações: aparece a inflação, até aí desconhecida (a taxa de juro era de 2% e não saía disso), aparece o desemprego, que até aí não havia
paula peixoto disse…
Estou a fazer um trabalho sobre : como entrei Portugal pos 25 de Abril depois de regressar de Moçambique e tive uma noçao clara e esclarecedora com estes textos. Obrigada

Mensagens populares deste blogue

Jantar de apoio à Candidatura da CDU junta meia centena de pessoas em Sobrado

Realizou-se no passado dia 15 de Agosto, em Sobrado, um jantar de apoiantes da Candidatura local da CDU às próximas eleições autárquicas. O jantar juntou perto de meia centena de pessoas, numa demonstração do crescente dinamismo que, nesta freguesia, a CDU tem demonstrado, e ao qual tem aderido um número crescente de Sobradenses.     Na iniciativa participaram os Candidatos da CDU à Câmara e Assembleia Municipal de Valongo, respectivamente José Caetano e Adriano Ribeiro, e ainda o Coordenador da CDU/Valongo, Adelino Soares e o Candidato da CDU à Junta de Freguesia de Sobrado, Guilhermino Almeida. Este último mostrou-se "muito entusiasmado com o crescente apoio dos Sobradenses à Candidatura da CDU" e manifestou a sua confiança num bom resultado desta força política nas próximas autárquicas. "Vamos crescer, vamos aumentar a nossa votação, e assim vamos ter mais força para defender o Povo de Sobrado", disse.     Já José Caetano, Candidato da CDU à Presidência da Câmara...

Festa do Avante! - Uma festa para todos

  É já nos próximos dias 4, 5 e 6 de Setembro que a Quinta da Atalaia abre portas à 33ª edição da Festa do Avante! , justamente considerada a maior iniciativa político-cultural que se realiza no nosso país. A Festa do Avante! inclui no seu programa um amplo conjunto de iniciativas, em áreas tão diversas como a música, o desporto, as artes plásticas, o teatro, os debates e exposições, a ciência, o artesanato e a gastronomia regional e a intervenção política do PCP, elementos que todos os anos constituem renovados motivos de interesse para os seus habituais visitantes, mas também para todos os que pela primeira vez a visitam. A Festa do Avante! , desde sempre ligada ao órgão central do PCP – O Avante/ –, que lhe dá o nome, é fruto da criatividade e imaginação, da vontade e trabalho de muitos milhares de militantes comunistas e é inseparável da capacidade de realização do PCP, constituindo todos os anos uma verdadeira homenagem ao trabalho, à militância e à luta por uma socie...

Honório Novo visita Campo por causa do problema da A41

O deputado do PCP na Assembleia da República, Honório Novo, visita amanhã, Sábado, 4 de Julho, a freguesia de Campo , para conhecer de perto o problema do traçado projectado para a A41, que prejudicará as populações do Alto da Ribeira e do Pinheiro Manso, ao isolá-las do resto da freguesia.   O problema foi denunciado pelos eleitos da CDU nas recentes reuniões da Assembleia Municipal de Valongo e da Assembleia de Freguesia de Campo. O descontentamento das populações afectadas é evidente. Em causa está a construção da nova autoestrada A41, que em parte vai atravessar Campo, e dos respectivos acessos à Via Distribuidora que a Autarquia está a construir naquela freguesia. De acordo com o projecto existente, a obra isolará as populações do Alto da Ribeira e do Pinheiro Manso (Lamosas), situadas numa área mais excêntrica de Campo.   Questionado na Assembleia Municipal sobre qual tinha sido a posição da Câmara face a este projecto, o Presidente da Câmara, Fernando Melo, não esclareceu a CDU....