Ex.mo Presidente da CM de Valongo
Senhores Vereadores
Senhores membros da Assembleia Municipal
Estamos hoje aqui para analisar, discutir e aprovar - ou não - o Orçamento e Grandes Opções do Plano da Câmara Municipal de Valongo para o ano de 2006. Este documento irá ou não proporcionar melhorias na vida das populações do concelho e o seu desenvolvimento.
A CDU, como é seu princípio, não reprova ou aprova documentos sem primeiro os analisar e verificar se a sua aplicação tem em conta, na sua óptica, opções que vão de encontro aos anseios da população.
Como é sabido, a CDU não tem vereadores na Câmara, pelo que não pôde, em sede própria, apresentar propostas de melhoria destes documentos. No entanto, fazemos lembrar à maioria camarária que, ao abrigo do Estatuto da Oposição, deveríamos mesmo assim ter sido consultados atempadamente sobre os documentos em discussão. Não quis assim a maioria. Por isso, este documento é da sua responsabilidade. Não podemos, porém, deixar de lembrar que o PS, com quatro vereadores, podia, assim o quisesse, influenciar a feitura deste documento.
Passando à análise do documento hoje em discussão, temos a dizer o seguinte:
Na sua introdução, o executivo camarário esclarece que este orçamento, quando comparado com o do ano anterior, regista um decréscimo de 13%. Uma parte deste decréscimo foi influenciada pelo facto de o ano que agora finda ter sido ano de eleições (dizemos nós), mas também por as transferências da Administração Central serem idênticas em valores reais às do ano transacto, sem o seu valor ter em conta a inflação.
No respeitante ao não cumprimento da Lei das Finanças Locais pelo actual Governo do PS, estamos de acordo com o executivo camarário. Em consonância com os governos anteriores, o actual governo, continua a insistir na asfixia do poder local, o que levou recentemente à censura pública e unânime de todos os autarcas Municipais deste país.
Noutro passo da introdução, lamenta o executivo o aumento da despesa com a Higiene Pública. Aqui manifestamos a nossa perplexidade. Então a concessão da recolha de lixos e limpeza do concelho, não era para racionalizar meios e aligeirar as despesas da Câmara? Como fica provado neste documento, a privatização encapotada deste sector serve para engordar certas empresas privadas e, como todos os dias constatamos, a melhoria da limpeza do concelho continua a ser uma miragem.
No capítulo das receitas, uma parcela da receita extraordinária será a venda de parte do Edifício dos Serviços Administrativos de Ermesinde, Edifício Dr. Faria Sampaio. Esta forma de obter receitas não colhe o nosso acordo. Não por sermos contra a angariação de receitas, mas pela forma em si. Este edifício está a ser construído ao abrigo do programa POLIS de Ermesinde e tem comparticipação do Governo. Destina-se à instalação de serviços públicos diversos. Como é possível que a Câmara venha agora apresentar o propósito de vender parte dele, tentando desta forma tapar o buraco financeiro em que se meteu nos últimos anos? A nossa discordância reside no facto de ter sido possível esbanjar dinheiros públicos na construção de um edifício e agora a Câmara chegar à conclusão que não precisava de um prédio multi-usos desta grandeza, colocando este equipamento à mercê da especulação imobiliária. Em vez de vender, porque não põe a Câmara a hipótese de alugar espaços a colectividades de Ermesinde, a preços sociais, naquele edifício? Não teria sido mais correcto racionalizar a sua edificação e aplicar as verbas sobrantes, por exemplo, na limpeza do rio Leça?
Passemos agora a analisar os números e as Grandes Opções do Plano:
No capítulo da receita, inscreve a Câmara no Orçamento como receitas extraordinárias a venda de terrenos e a venda de parte do Edifício dos Serviços Administrativos de Ermesinde, continuando nós com dúvidas da possibilidade da alienação deste edifício. Estas adensam-se com o estado da estagnação da economia portuguesa - como será possível à Câmara alcançar estas receitas extraordinárias?
No capítulo da despesa, a CDU, se fosse chamada a participar na elaboração deste documento, teria apontado outras orientações politicas. Discordamos, pois, do sentido destas opções em várias orientações dos documentos.
No que concerne ao endividamento e dívidas aos fornecedores, embora a Câmara não tenha esgotado o plafond, os números não são animadores. Mas estes números não caíram do céu; antes têm origem nas opções que esta maioria camarária seguiu durante os últimos anos, com projectos como a Nova Valongo, que serviu para o endividamento camarário e que, afinal, poderá não passar de mais um "elefante branco".
A subordinação aos ciclos eleitorais, com o esbanjamento de dinheiros em espectáculos e
acções de propaganda que as capacidades financeiras da Câmara não podiam suportar, também contribuíram para este défice.
Como particularidade interessante, se consultarmos os mapas de empréstimos pedidos aos bancos, podemos constatar que as datas destas operações financeiras coincidiram quase sempre com épocas de eleições.
Nas despesas de capital, há três exemplos sobre os quais vale a pena reflectir:
- Construção de reservatórios de água em várias freguesias - obra meritória, sem dúvida. Mas a concessão da distribuição da água não obriga a que a empresa Águas de Valongo (VEOLIA) faça investimentos? Vai continuar a Câmara a suportar o investimento de capital, sendo as mais valias e o seu usufruto pertença desta multinacional? Além disso, é do conhecimento da CDU o contrato, assinado em 2004 (com a abstenção dos vereadores do PS), e que entrará em vigor em 1 de Janeiro próximo, entre a Águas de Valongo e a Câmara. Nos termos de tal contrato, a Águas de Valongo deixará de pagar à Câmara qualquer contrapartida pela concessão dos serviços de águas e saneamento. Será de perguntar se a construção destes reservatórios não será mais um investimento a fundo
perdido da Câmara, usando os dinheiros dos contribuintes em favor de uma empresa privada.
Outra obra que a Câmara pretende levar a cabo é a Via Distribuidora Central, na freguesia de Campo, cuja verba a gastar em 2006, só na aquisição de terrenos, é de cerca de 3,5 milhões de euros. Verba do mesmo valor vai ser gasta nos anos subsequentes na construção da obra, o que equivale a dizer que esta obra a preços actuais ficará por 7 milhões de euros. A CDU está de acordo com esta obra, pois a ligação à Zona Industrial é uma melhoria importante para a freguesia. Mas também sabemos que esta via virá a
ser aberta essencialmente para servir o terminal ferroviário ainda por construir, que será uma simples plataforma de carga e descarga de contentores.
Como este terminal é uma obra paga pela administração central, não devia também esta comparticipar nos encargos da construção desta via distribuidora? Registe-se que este terminal ferroviário em nada vai contribuir para a criação de postos de trabalhos locais, nem tampouco para a riqueza do concelho.
Outra obra contemplada neste documento, é a ligação ao IC24 através do nó do Lombelho. Então deixa-se inaugurar a extensão do IC24 até Paços de Ferreira sem nenhuma reacção do executivo camarário e agora orçamenta-se esta obra? A Câmara já gastou parte deste investimento na via concelhia de acesso a este nó e agora não se reivindica que a administração central ou a empresa a quem foi atribuída a concessão faça a sua ligação através do nó do Lombelho e que suporte estes custos?
Estes são os principais investimentos que a Câmara de Valongo pretende levar a efeito no ano de 2006. Quanto às restantes matérias, o investimento é nulo, o que nos deixa preocupados.
Chamamos a atenção para um documento elaborado pelos serviços camarários,
cuja realização a CDU aqui enaltece, e sobre ele apelamos para uma reflexão
profunda dos responsáveis políticos desta Edilidade. Referimo-nos ao Diagnóstico Social do Concelho de Valongo, realizado por uma vasta equipa, cujo trabalho aqui queremos louvar e enaltecer. A acompanhar e complementar este documento existe um outro, o Plano de
Desenvolvimento Social para o concelho de Valongo, que aponta medidas para acorrer às situações sociais levantadas no referido Diagnóstico.
Este documento aponta um programa de medidas cujo calendário define o período entre 2005 e 2008 para o combate as estas carências. Ora, o ano 2005 já lá vai. E. no Plano e Orçamento para 2006 não vislumbramos quaisquer medidas para combater os flagelos sociais referenciados naqueles documentos, o que nos preocupa e leva mais uma vez a discordar das opções políticas que apresentadas pelo executivo camarário para o próximo
ano.
Outras matérias que este orçamento esquece e que consideramos importantes são:
- Ambiente: continua a não haver qualquer investimento para a limpeza e despoluição das linhas de água que atravessam o concelho, com o rio Leça à cabeça.
- A reflorestação das nossas serras e montes não é contemplada com qualquer verba. Sabemos que este trabalho tem que ter apoios comunitários e do Governo Central, mas da parte da Câmara não vemos reflectido nenhum esforço financeiro.
- Cultura e Desporto: a aposta para o ano de 2006 é nula.
- Educação: as verbas atribuídas são, na sua maior parte, para uma gestão corrente e apertada.
- Luta contra incêndios e protecção civil: o orçamento enferma dos mesmos erros e omissões.
- Apoio às colectividades e instituições sem fins lucrativos: são reservadas verbas diminutas.
- Apoio às corporações de Bombeiros: segue o mesmo orçamento de 2005, o que contribui para agravar a falta de meios destas corporações. Isto acrescido e agravado pelo ano desgastante que foi o ano que finda, o que deveria levar a um aumento de verbas, pois estas associações são o garante da vida e do património urbano e florestal.
- Reorganização e apoio aos bairros camarários e à melhoria da qualidade de vida nesses bairros: não é aposta deste Orçamento nem da maioria que o elaborou.
Enumerámos aqui algumas das opções que gostaríamos de ter visto contempladas neste Orçamento. Quis a maioria camarária enveredar por outros caminhos, assumindo, portanto, a inteira responsabilidade de se comprometer com este Plano.
A CDU é uma força política responsável e que está na política para servir as populações. Em coerência com esse princípio, apoiamos sempre todas as medidas e opções, mesmo que venham doutras forças politicas, desde que o bem-estar das populações seja garantido.
Pela análise que fizemos dos documentos hoje presentes a esta Assembleia Municipal, não podem os eleitos da CDU estar de acordo com ele e, por isso, rejeitam-no, votando contra.
Como pessoas responsáveis, estaremos sempre disponíveis para contribuir para a melhoria destes documentos, bem como de outras medidas favoráveis às populações que a vereação camarária quiser levar a efeito.
Valongo, 28 de Dezembro de 2005
Senhores Vereadores
Senhores membros da Assembleia Municipal
Estamos hoje aqui para analisar, discutir e aprovar - ou não - o Orçamento e Grandes Opções do Plano da Câmara Municipal de Valongo para o ano de 2006. Este documento irá ou não proporcionar melhorias na vida das populações do concelho e o seu desenvolvimento.
A CDU, como é seu princípio, não reprova ou aprova documentos sem primeiro os analisar e verificar se a sua aplicação tem em conta, na sua óptica, opções que vão de encontro aos anseios da população.
Como é sabido, a CDU não tem vereadores na Câmara, pelo que não pôde, em sede própria, apresentar propostas de melhoria destes documentos. No entanto, fazemos lembrar à maioria camarária que, ao abrigo do Estatuto da Oposição, deveríamos mesmo assim ter sido consultados atempadamente sobre os documentos em discussão. Não quis assim a maioria. Por isso, este documento é da sua responsabilidade. Não podemos, porém, deixar de lembrar que o PS, com quatro vereadores, podia, assim o quisesse, influenciar a feitura deste documento.
Passando à análise do documento hoje em discussão, temos a dizer o seguinte:
Na sua introdução, o executivo camarário esclarece que este orçamento, quando comparado com o do ano anterior, regista um decréscimo de 13%. Uma parte deste decréscimo foi influenciada pelo facto de o ano que agora finda ter sido ano de eleições (dizemos nós), mas também por as transferências da Administração Central serem idênticas em valores reais às do ano transacto, sem o seu valor ter em conta a inflação.
No respeitante ao não cumprimento da Lei das Finanças Locais pelo actual Governo do PS, estamos de acordo com o executivo camarário. Em consonância com os governos anteriores, o actual governo, continua a insistir na asfixia do poder local, o que levou recentemente à censura pública e unânime de todos os autarcas Municipais deste país.
Noutro passo da introdução, lamenta o executivo o aumento da despesa com a Higiene Pública. Aqui manifestamos a nossa perplexidade. Então a concessão da recolha de lixos e limpeza do concelho, não era para racionalizar meios e aligeirar as despesas da Câmara? Como fica provado neste documento, a privatização encapotada deste sector serve para engordar certas empresas privadas e, como todos os dias constatamos, a melhoria da limpeza do concelho continua a ser uma miragem.
No capítulo das receitas, uma parcela da receita extraordinária será a venda de parte do Edifício dos Serviços Administrativos de Ermesinde, Edifício Dr. Faria Sampaio. Esta forma de obter receitas não colhe o nosso acordo. Não por sermos contra a angariação de receitas, mas pela forma em si. Este edifício está a ser construído ao abrigo do programa POLIS de Ermesinde e tem comparticipação do Governo. Destina-se à instalação de serviços públicos diversos. Como é possível que a Câmara venha agora apresentar o propósito de vender parte dele, tentando desta forma tapar o buraco financeiro em que se meteu nos últimos anos? A nossa discordância reside no facto de ter sido possível esbanjar dinheiros públicos na construção de um edifício e agora a Câmara chegar à conclusão que não precisava de um prédio multi-usos desta grandeza, colocando este equipamento à mercê da especulação imobiliária. Em vez de vender, porque não põe a Câmara a hipótese de alugar espaços a colectividades de Ermesinde, a preços sociais, naquele edifício? Não teria sido mais correcto racionalizar a sua edificação e aplicar as verbas sobrantes, por exemplo, na limpeza do rio Leça?
Passemos agora a analisar os números e as Grandes Opções do Plano:
No capítulo da receita, inscreve a Câmara no Orçamento como receitas extraordinárias a venda de terrenos e a venda de parte do Edifício dos Serviços Administrativos de Ermesinde, continuando nós com dúvidas da possibilidade da alienação deste edifício. Estas adensam-se com o estado da estagnação da economia portuguesa - como será possível à Câmara alcançar estas receitas extraordinárias?
No capítulo da despesa, a CDU, se fosse chamada a participar na elaboração deste documento, teria apontado outras orientações politicas. Discordamos, pois, do sentido destas opções em várias orientações dos documentos.
No que concerne ao endividamento e dívidas aos fornecedores, embora a Câmara não tenha esgotado o plafond, os números não são animadores. Mas estes números não caíram do céu; antes têm origem nas opções que esta maioria camarária seguiu durante os últimos anos, com projectos como a Nova Valongo, que serviu para o endividamento camarário e que, afinal, poderá não passar de mais um "elefante branco".
A subordinação aos ciclos eleitorais, com o esbanjamento de dinheiros em espectáculos e
acções de propaganda que as capacidades financeiras da Câmara não podiam suportar, também contribuíram para este défice.
Como particularidade interessante, se consultarmos os mapas de empréstimos pedidos aos bancos, podemos constatar que as datas destas operações financeiras coincidiram quase sempre com épocas de eleições.
Nas despesas de capital, há três exemplos sobre os quais vale a pena reflectir:
- Construção de reservatórios de água em várias freguesias - obra meritória, sem dúvida. Mas a concessão da distribuição da água não obriga a que a empresa Águas de Valongo (VEOLIA) faça investimentos? Vai continuar a Câmara a suportar o investimento de capital, sendo as mais valias e o seu usufruto pertença desta multinacional? Além disso, é do conhecimento da CDU o contrato, assinado em 2004 (com a abstenção dos vereadores do PS), e que entrará em vigor em 1 de Janeiro próximo, entre a Águas de Valongo e a Câmara. Nos termos de tal contrato, a Águas de Valongo deixará de pagar à Câmara qualquer contrapartida pela concessão dos serviços de águas e saneamento. Será de perguntar se a construção destes reservatórios não será mais um investimento a fundo
perdido da Câmara, usando os dinheiros dos contribuintes em favor de uma empresa privada.
Outra obra que a Câmara pretende levar a cabo é a Via Distribuidora Central, na freguesia de Campo, cuja verba a gastar em 2006, só na aquisição de terrenos, é de cerca de 3,5 milhões de euros. Verba do mesmo valor vai ser gasta nos anos subsequentes na construção da obra, o que equivale a dizer que esta obra a preços actuais ficará por 7 milhões de euros. A CDU está de acordo com esta obra, pois a ligação à Zona Industrial é uma melhoria importante para a freguesia. Mas também sabemos que esta via virá a
ser aberta essencialmente para servir o terminal ferroviário ainda por construir, que será uma simples plataforma de carga e descarga de contentores.
Como este terminal é uma obra paga pela administração central, não devia também esta comparticipar nos encargos da construção desta via distribuidora? Registe-se que este terminal ferroviário em nada vai contribuir para a criação de postos de trabalhos locais, nem tampouco para a riqueza do concelho.
Outra obra contemplada neste documento, é a ligação ao IC24 através do nó do Lombelho. Então deixa-se inaugurar a extensão do IC24 até Paços de Ferreira sem nenhuma reacção do executivo camarário e agora orçamenta-se esta obra? A Câmara já gastou parte deste investimento na via concelhia de acesso a este nó e agora não se reivindica que a administração central ou a empresa a quem foi atribuída a concessão faça a sua ligação através do nó do Lombelho e que suporte estes custos?
Estes são os principais investimentos que a Câmara de Valongo pretende levar a efeito no ano de 2006. Quanto às restantes matérias, o investimento é nulo, o que nos deixa preocupados.
Chamamos a atenção para um documento elaborado pelos serviços camarários,
cuja realização a CDU aqui enaltece, e sobre ele apelamos para uma reflexão
profunda dos responsáveis políticos desta Edilidade. Referimo-nos ao Diagnóstico Social do Concelho de Valongo, realizado por uma vasta equipa, cujo trabalho aqui queremos louvar e enaltecer. A acompanhar e complementar este documento existe um outro, o Plano de
Desenvolvimento Social para o concelho de Valongo, que aponta medidas para acorrer às situações sociais levantadas no referido Diagnóstico.
Este documento aponta um programa de medidas cujo calendário define o período entre 2005 e 2008 para o combate as estas carências. Ora, o ano 2005 já lá vai. E. no Plano e Orçamento para 2006 não vislumbramos quaisquer medidas para combater os flagelos sociais referenciados naqueles documentos, o que nos preocupa e leva mais uma vez a discordar das opções políticas que apresentadas pelo executivo camarário para o próximo
ano.
Outras matérias que este orçamento esquece e que consideramos importantes são:
- Ambiente: continua a não haver qualquer investimento para a limpeza e despoluição das linhas de água que atravessam o concelho, com o rio Leça à cabeça.
- A reflorestação das nossas serras e montes não é contemplada com qualquer verba. Sabemos que este trabalho tem que ter apoios comunitários e do Governo Central, mas da parte da Câmara não vemos reflectido nenhum esforço financeiro.
- Cultura e Desporto: a aposta para o ano de 2006 é nula.
- Educação: as verbas atribuídas são, na sua maior parte, para uma gestão corrente e apertada.
- Luta contra incêndios e protecção civil: o orçamento enferma dos mesmos erros e omissões.
- Apoio às colectividades e instituições sem fins lucrativos: são reservadas verbas diminutas.
- Apoio às corporações de Bombeiros: segue o mesmo orçamento de 2005, o que contribui para agravar a falta de meios destas corporações. Isto acrescido e agravado pelo ano desgastante que foi o ano que finda, o que deveria levar a um aumento de verbas, pois estas associações são o garante da vida e do património urbano e florestal.
- Reorganização e apoio aos bairros camarários e à melhoria da qualidade de vida nesses bairros: não é aposta deste Orçamento nem da maioria que o elaborou.
Enumerámos aqui algumas das opções que gostaríamos de ter visto contempladas neste Orçamento. Quis a maioria camarária enveredar por outros caminhos, assumindo, portanto, a inteira responsabilidade de se comprometer com este Plano.
A CDU é uma força política responsável e que está na política para servir as populações. Em coerência com esse princípio, apoiamos sempre todas as medidas e opções, mesmo que venham doutras forças politicas, desde que o bem-estar das populações seja garantido.
Pela análise que fizemos dos documentos hoje presentes a esta Assembleia Municipal, não podem os eleitos da CDU estar de acordo com ele e, por isso, rejeitam-no, votando contra.
Como pessoas responsáveis, estaremos sempre disponíveis para contribuir para a melhoria destes documentos, bem como de outras medidas favoráveis às populações que a vereação camarária quiser levar a efeito.
Valongo, 28 de Dezembro de 2005
Comentários
Parece existir uma situação difícil entre mãos, que põe em evidência a necessidade de estabelecer a mais rigorosa coordenação e disciplina, necessária para que a CDU se afirme a nível autárquico como aquilo que é: uma força política empenhada na resolução dos problemas do concelho e dos cidadãos.
O que se passou na AMV, com a eleita da CDU a assumir sistematicamente uma posição de abstencionismo face à clara orientação de voto da CDU em relação às propostas e documentos submetidos à votação, é algo que não pode continuar a acontecer.
Esta situação é ainda mais grave porque acontece, segundo entendi, depois de uma exaustiva discussão do documento em questão, em que a Dra Sofia de Freitas manifestou claramente a sua concordância com a posição da CDU, tendo-se decidido qual seria a orientação de voto face à proposta de Orçamento da CMV para 2006.
Se a presidenta da mesa da Assembleia em algum momento tem dúvidas sobre a posição da CDU, que é a força política pela qual concorreu e foi eleita, ainda que como independente, e cuja orientação de voto deve, consequentemente, conhecer e respeitar, a sua obrigação é consultar com o seu grupo na AMV para definir posições, para depois, e só depois, exercer o seu direito de voto em consonância com a posição da CDU, que é a força eleitoral que representa.
Esta situação, que de resto já não é nova, não serve os interesses dos eleitores da CDU, e pode vir a ter consequências muito negativas, que põem em causa a nossa afirmação como terceira força política do concelho.
E a solução é simples: se a Drs. Sofia de Freitas se sente identificada com o projecto e as propostas da CDU, então deverá compreender que, por uma questão óbvia de coerência política, não podemos permitir que se repita nem uma só vez esta situação, e que é fundamental que o voto da CDU na Assembleia Municipal seja um voto de unidade e de coesão, sem qualquer tipo de rodeios ou equívocos
Se, pelo contrário, se a Dra Sofia de Freitas não se sente capaz de representar a CDU na AMV - sejam quais forem os seus motivos, pessoais ou políticos - deve apresentar a sua resignação ao cargo para que foi eleita como representante da CDU na AMV, dando lugar ao seguinte membro da lista da coligação, que talvez se sinta menos constrangido e mais capaz de actuar sem hesitações na representação dos interesses dos eleitores e do povo de Valongo que apoiaram com o seu voto as propostas da CDU para a autarquia.
O que definitivamente não pode é continuar a agir de um modo politicamente irresponsável, que não só não serve os interesses dos eleitores da CDU que a elegeram, como desprestigia a própria AMV.
Entendam-se, democracia não é ter todos a mesma opinião, mas quando representamos um colectivo, a situação é diferente, aqui a opinião é a do colectivo.
A CDU tem um passado sem ambiguidades,com comportamento digno e de respeito.
Para desempenhar o papel recente, a CDU não é necessária, o PS no nosso concelho á muitos anos que o desempenha muito bem. Espero que 2006 de uma ajuda para bem dos Valongenses.
Quanto à necessidade de reunir a Coordenadora da CDU urgentemente, estou de acordo. É necessário esclarecer a situação e fazer compreender à nossa amiga Sofia que há solidariedades a manter, compromissos a honrar, e que as forças que detêm o poder na Câmara de Valongo - PSD/CDS/( com o apoio mais ou menos encapotado do PS ) - não podem contar com qualquer complacência da CDU e do PCP, por via dos seus eleitos. Seria uma desonra, além de tudo, para os eleitos da CDU virem a pactuar, de qualquer forma, com partidos que conduziram o concelho nos últimos 12 anos ao estado em que se encontra: caos urbanístico, sub-desenvolvimento, abandono dos bairros camarários, entrega a empresas privadas de serviços públicos municipais, com prejuízo para as populações, esbanjamento de recursos em obras de fachada, endividamento do município, etc. Recordo, por exemplo, o caso gravoso da água: a Câmara PSD/CDS, com a abstenção bem comportada dos vereadores do PS, entregou, sem qualquer contrapartida e durante 36 anos, o abastecimento de água e os serviços de saneamento a uma multinacional, Águas de Valongo. Ou seja, depósitos, canalizações, condutas, estações de bombagem, edifícios, ETARs, tudo construído com dinheiros públicos, a Câmara entregou de graça, sem receber um cêntimo, durante 36 anos, deixando os munícipes à mercê duma empresa privada, que o que quer é obter lucros fáceis. Quem está a pagar é a população com o aumento dos preços da água, taxas, etc.
É com esta gente do PSD/CDS que a CDU e os seus eleitos vão alguma vez ter algum entendimento?
Votar a favor sim, mas apenas de propostas que, venham de onde vierem, se traduzam em medidas que beneficiem a população. Este é um princípio básico que tem regido desde há muito a actuação dos eleitos da CDU nas autarquias, quer estejam em maioria, quer em minoria.
É na base destes princípos que os nossos eleitos têm de actuar e não de outros quaisquer pressupostos.