Avançar para o conteúdo principal

A propósito dos incêndios florestais que recentemente fustigaram o concelho de Valongo

Os recentes incêndios florestais, que afectaram vastas áreas do
concelho de Valongo, designadamente nas zonas da Outrela, Lagoela, Suzão e
Quinta da Lousa, vêm colocar de novo na ordem do dia a problemática do
ordenamento do território e da situação florestal e ambiental do concelho. Os
fogos florestais que, este Verão, têm fustigado o país - e aos quais o concelho
de Valongo não conseguiu, infelizmente, escapar - põem a nu as debilidades das
políticas de ordenamento florestal e de prevenção de fogos de sucessivos
governos, apesar das permanentes declarações de intenção e dos anúncios mais ou
menos pomposos que raramente ou nunca são colocados em prática. A incapacidade
do governo PS e, no passado, dos governos do PSD para resolver os problemas das
florestas portuguesas é muitas vezes acompanhada e agravada pela incapacidade
das autarquias locais em promover um correcto planeamento do seu território e
das suas áreas verdes, frequentemente deixadas ao abandono ou destruídas para
dar lugar a operações imobiliárias. Em concelhos com elevados índices de área
construída, como é o caso de Valongo, a defesa das áreas florestais impõe-se
como garante do desenvolvimento sustentável e da promoção da qualidade de vida
das populações.
É nesse sentido que os incêndios florestais do passado fim de semana podem e
devem ser analisados, como um desafio à ruptura com as inércias instaladas e
com as práticas contrárias aos interesses das populações. Mais do que nunca,
impõe-se o aprofundamento do debate sobre a situação das áreas florestais e
outros espaços verdes do concelho, no quadro do debate mais amplo sobre a
política de planeamento e ordenamento do território danosa seguida pela Câmara
do PSD nos últimos anos. Impõe-se a defesa incondicional da reflorestação das
áreas ardidas e de todas as áreas em processo de desflorestação, em articulação
com o ICN e com as entidades públicas responsáveis pela gestão das áreas
florestais, evitando a monocultura do eucalipto e apostando nas espécies
autóctones e na conservação dos ecossistemas locais. Impõe-se o combate às
operações de especulação imobiliária e a defesa da criação de mais espaços
verdes e parques naturais colocados à disposição das populações. Impõe-se a
defesa da aprovação dos Projectos-Lei do PCP tendentes à criação do Parque
Natural da Serra de Santa Justa, meio fundamental à defesa e regeneração
daquele que é considerado o "pulmão" da Área Metropolitana do Porto. Impõe-se a
constituição de um novo plano estratégico capaz de fazer actualizar o
diagnóstico da situação das áreas florestais do concelho, no sentido da sua
preservação e alargamento. Importa esquecer megalomanias como a "Nova Valongo"
e defender a proposta de fundo da CDU para essa área, que vai no sentido da sua
reflorestação e transformação em grande espaço de equipamentos e de lazer,
deixando de lado o betão, que já temos a mais. Se não se avançar claramente que
a CDU aqui brevemente esboça, corremos o risco de, a curto prazo, hipotecar
todas as hipóteses de desenvolvimento sustentável e de promoção da qualidade
ambiental e de vida no concelho de Valongo, awm dúvida um dos principais
desafios que se colocam ao futuro do concelho

A Coordenadora da CDU/Valongo

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Estacionamento desordenado na Zona Industrial de Alfena compromete a segurança pedonal

  A Zona Industrial de Alfena continua a enfrentar um problema de organização do espaço público que afeta diariamente a segurança e a mobilidade de quem ali trabalha e circula. Em vários arruamentos, os passeios existentes têm largura suficiente para garantir uma circulação pedonal confortável. No entanto, a ausência de uma correta organização do estacionamento faz com que muitos veículos estacionem parcialmente ou totalmente sobre os passeios, obrigando os peões a circular pela faixa de rodagem, muitas vezes entre veículos pesados.    Esta situação resulta, em grande medida, da opção por manter lugares de estacionamento em paralelo, quando a largura disponível permitiria a criação de estacionamento em espinha, aumentando o número de lugares e evitando a ocupação abusiva dos passeios. A atual configuração revela-se desadequada às necessidades da zona industrial e acaba por gerar conflitos permanentes entre veículos e peões. Não estamos perante um problema inevitáv...

Resultados Freguesia de Alfena

 

Orçamento e Grande Opções do Plano para 2026 – Mapa de Pessoal para 2026

A CDU manifesta a sua abstenção na votação do Orçamento e do Plano Plurianual de Investimentos para 2026. Reconhecemos que a proposta apresentada contempla medidas positivas para o concelho, nomeadamente nas áreas da educação, da habitação, da saúde e das creches. No entanto, apesar da relevância e do potencial destas medidas, subsistem fundadas dúvidas quanto à sua efetiva concretização. A experiência de anos anteriores demonstra que diversos orçamentos incluíram obras e investimentos que acabaram por não se materializar. É neste contexto que a CDU opta pela abstenção: uma posição que permite viabilizar o Orçamento, mas que não deixa de expressar reservas quanto à concretização de prioridades estruturais essenciais, como a defesa do direito à habitação e a requalificação das escolas. A defesa do direito à habitação exige mais do que intenções. Exige a concretização de investimentos há muito anunciados, o combate à especulação imobiliária, a melhoria das condições do parque habitaci...