Saudamos a abertura do concurso para o investimento de 150 milhões de euros por parte das Infraestruturas de Portugal (IP) no alargamento do troço ferroviário entre Contumil e Ermesinde e na beneficiação das coberturas das plataformas na estação de Ermesinde. Este investimento representa um passo positivo na modernização da ferrovia nacional e na melhoria da rede ferroviária da região.
No entanto, o PCP denuncia a decisão inaceitável de reabrir a Linha de Leixões sem contemplar a sua ligação a Ermesinde. A reabertura desta linha ao serviço de passageiros no passado dia 9 de fevereiro deveria ter sido acompanhada por um conjunto de investimentos estratégicos que garantissem a sua plena funcionalidade e utilidade para as populações. Em vez disso, a opção tomada pelo Governo e pela CP exclui um dos principais nós ferroviários do país, prejudicando milhares de utentes e comprometendo a eficácia desta reabertura.
A defesa do transporte público ferroviário deve ser uma prioridade para garantir um modelo de mobilidade mais sustentável, acessível e eficiente. O reforço da ferrovia representa um instrumento essencial na resposta às necessidades das populações, na redução do tráfego rodoviário, na diminuição das emissões poluentes e no acesso equitativo a serviços de transporte de qualidade. A reabertura da Linha de Leixões é uma oportunidade para corrigir décadas de desinvestimento na ferrovia e para reforçar o direito à mobilidade das populações, ligando centros urbanos e polos industriais de forma eficaz.
O PCP apresentou na Assembleia da República uma proposta clara e estruturada, recomendando ao Governo a reabertura da Linha de Leixões com os necessários investimentos em novas infraestruturas e na requalificação de apeadeiros e estações, servindo de forma eficaz Matosinhos, Maia, Gondomar, Porto e Valongo, e garantindo a ligação a Ermesinde e Campanhã. Esta proposta permitiria beneficiar não apenas as populações destes concelhos, mas também trabalhadores de unidades industriais e de empresas estratégicas para a região, estudantes do Polo Universitário da Asprela / S. João e utentes das Linhas do Minho e do Douro, que cruzam a de Leixões precisamente em Ermesinde.
Contudo, enquanto o PCP defende uma reabertura da linha que verdadeiramente responda às necessidades da população e promova a mobilidade na região, há quem insista numa solução limitada e insuficiente. O coordenador metropolitano dos Transportes e da Mobilidade, Marco Martins, tem sido um dos principais defensores da reabertura da Linha de Leixões sem qualquer ligação a Ermesinde, deixando de fora dezenas de milhares de potenciais utentes e ignorando o papel central que Ermesinde desempenha na rede ferroviária.
A decisão agora tomada pelo Governo e pela CP repete os erros do passado e falha em garantir uma verdadeira solução de mobilidade integrada para a Área Metropolitana do Porto. A exclusão de Ermesinde da reabertura da Linha de Leixões é injustificável e lesa milhares de pessoas que diariamente necessitam de um transporte público ferroviário eficiente e acessível.
O PCP reafirma a sua exigência de que a reabertura da Linha de Leixões seja acompanhada pelos devidos ajustes e adaptações nas paragens, garantindo a inclusão de Ermesinde neste percurso essencial. Apenas assim se poderá garantir um serviço ferroviário justo, eficaz e verdadeiramente ao serviço das populações, promovendo o fortalecimento da ferrovia como eixo fundamental para o desenvolvimento e coesão territorial.
Valongo, 27 de fevereiro de 2025
A Coligação Democrática Unitária
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