O jantar comemorativo do 90.º anivesário do PCP realiza-se dia 5 de Março, pelas 20 horas, na Escola Secundária de Ermesinde. Contará com a participação de João Frazão, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP.
Inscrições nos centros de trabalho de Campo, Ermesinde e Valongo ou através de pcp.valongo@gmail.com
Preço: adultos - 11 €; crianças (5-12 anos) - 6 €.
No dia 12 de Março, realiza-se um comício de aniversário do PCP, na Alfândega do Porto, com a presença do Secretário-Geral do Partido, Jerónimo de Sousa.
Comentários
Tenho a certeza de que todos os camaradas e amigos presentes no jantar de aniversário do Partido sentiram como eu uma enorme satisfação perante o grande número de camaradas que aderiram à iniciativa.
Os noventa anos servem apenas para demonstrar que ao longo dos anos o partido se soube manter jovem, e permanecer na vanguarda da luta dos trabalhadores pelos seus direitos, defendendo sempre com firmeza os princípios que definem uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais democrática.
Agradeço à organização e aplaudo o esforço dos camaradas e amigos que contribuíram com o seu trabalho para o êxito da iniciativa. Mas penso que é importante fazer também um exercício de crítica e de autocrítica, porque sem este exercício, que constitui afinal um dos pilares em que assenta o funcionamento do partido, nenhuma iniciativa, nenhum acontecimento, nenhuma vitória (e nenhuma derrota), em suma, nenhum do trabalho realizado atingiria completamente os seus objectivos. Muito haveria a dizer, mas centrar-me-ei apenas em alguns aspectos que me parecem fundamental.
Foi com alguma tristeza que constatei uma vez mais que somos uma minoria os que, como eu, têm filhos pequenos e os levamos, - em parte porque não temos alternativa, e em parte porque acreditámos que é também para eles uma experiência formativa importante – connosco a estes jantares. Porque há com certeza mais camaradas com família que de bom grado participariam em conjunto nestas iniciativas se também se disponibilizasse uma área para o convívio dos mais pequenos e dos mais jovens. Não é de todo impossível, camaradas, e acredito que assegurar a cobertura desta carência levaria a uma regular participação de mais jovens e das suas famílias.
Mas sobretudo quero aproveitar para defender aqui, uma vez mais, a importância pedagógica que deveriam ter estas ocasiões. Reunir os camaradas e amigos à volta de uma mesa para comemorar o aniversário do PCP deveria ser apenas um pretexto para levar à prática essa tarefa pedagógica, que consiste em celebrar com os camaradas presentes que o que nos une não é só a militância, ou melhor, que a militância que nos une é feita de valores, de referências políticas, ideológicas e culturais comuns. Que mais do que um ideário político e uma luta comum, partilhamos também uma maneira de estar no mundo, uma maneira de o viver, de o sentir, de o cantar e de o contar.
Somos um partido de luta e de trabalho, e muitos foram os que com a sua voz e a sua música contaram ao longo dos anos a história do nosso partido. Este é, felizmente, o nosso património, que se conserva bem vivo.
Alegrei-me com a presença de um camarada que com a sua guitarra e a sua voz se prestou com ilusão a oferecer e a partilhar com todos os presentes no convívio algumas das trovas e canções que simbolizam, no seu conjunto, a nossa luta, e as nossas conquistas, e que mantêm viva a revolução de Abril. Canta, camarada, canta!
Quatro cantigas cantou o camarada, antes das intervenções políticas. Não discuto a importância das mesmas, imprescindíveis em qualquer acto político. Mas atrevo-me a contestar o momento escolhido para as mesmas, e critico sem reservas o que a seguir se passou. Calaram-se na voz do camarada as vozes de Adriano e José Afonso, para dar lugar, após as intervenções políticas dos camaradas convidados, a um curto mas infeliz e pouco digno momento de “nacional-cançonetismo”, mais parecido com o que caracteriza qualquer casório ou baptizado!
É por isso que entendo que é cada vez mais essencial para o partido dedicar a maior importância ao conteúdo pedagógico-cultural de iniciativas como esta, transformando-as em grandes momentos de confraternização política e cultural, que nos ajudarão com certeza a manter mais viva a chama de Abril, a renovar o espírito de combate que a situação exige e a recuperar energias para a luta do dia a dia. Porque me parece a mim que o verdadeiramente importante nestas celebrações colectivas, camaradas, não deveriam ser os rojões, nem o leitão –que bons estavam, por ce