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Governo e CP mandam compromissos às urtigas e voltam a fechar Linha de Leixões

Como se previa de há algum tempo a esta parte, apesar dos diversos alertas do PCP, a CP, a mando do Governo, decidiu o encerramento da Linha de Leixões, já em Janeiro que vem, alegando a falta de sustentabilidade financeira da via e o facto de a REFER não ter feito estações ou apeadeiros no Hospital de S. João, na Arroteia ou em Pedrouços, paragens que tornariam a linha útil para um conjunto significativamente mais alargado de pessoas.


 


Mais de um ano depois de reaberta, o que aconteceu foi que tão falada "Linha de Leixões" nunca chegou realmente a Leixões, nem sequer circulou pelas áreas de maior afluência em termos de destino e partida de passageiros. Atento ao que manifestamente se tornava, de dia para dia, uma profecia daquelas que se cumprem a si mesmas, o PCP alertou, na Assembleia de Freguesia de Ermesinde, em Setembro deste ano, para a necessidade de abertura plena da Linha, sem a qual a mesma não poderia ser útil nem rentável. A posição do PCP (ver aqui) recomendava à Junta de Ermesinde que tomasse posição sobre este assunto, defendendo a conclusão do trajecto ferroviário em toda a sua extensão. Não se conhece qualquer tomada de posição da Junta de Ermesinde sobre este assunto, sendo verdade que, se a Junta nada disse ou fez, a Câmara Municipal de Valongo tomou uma posição no mínimo surpreendente, por intermédio do seu Vice-Presidente, João Paulo Baltazar, que, em 
declarações ao JN (ver aqui), simplesmente concordou com o encerramento, contrariando quer os responsáveis das outras câmaras municipais cujos territórios serão afectados por esta medida, quer o próprio documento orientador da revisão do PDM de Valongo, que realça a profunda ligação diária que o concelho tem com a freguesia de Paranhos, no Porto, e com o concelho de Matosinhos, ligação que a Linha de Leixões ajudaria a melhorar em termos de acessibilidade.


 


Este encerramento da Linha de Leixões vem ao encontro de outros encerramentos de eixos ferroviários que o Governo anuncia, a juntar aos mais de mil quilómetros de linha fechados e abandonados - de norte a sul do país - desde o tempo dos governos do actual Presidente da República, Cavaco Silva. O encerramento da Linha de Leixões está também ligado aos planos de privatização das linhas urbanas do Porto, que ocorre depois de o Governo nelas ter investido milhões de euros do dinheiro dos contribuintes, na renovação da via e na aquisição de comboios novos. Se assim for, o povo pagará mais uma vez a factura...


 


A Linha de Leixões, recorde-se, é uma alternativa válida para quem se dirige ao Hospital de S. João, a Matosinhos, a Pedrouços, a Leça do Balio e a todas as localidades densamente urbanizadas que atravessa. O encerramento é mais uma oportunidade perdida para melhorar a mobilidade das populações na área do Grande Porto, melhorando também o trânsito nas congestionadas ruas e estradas da região. Só a abertura plena desta via ferroviária poderá garantir a sua rentabilidade. Infelizmente, o Governo e a CP não querem honrar os seus compromissos e fecham agora esta Linha sem nunca terem feito esforços no sentido da sua abertura plena.


 


 


Ermesinde, 21 de Dezembro de 2010
O Secretariado da Comissão Concelhia de Valongo do PCP

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