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A Câmara de Valongo aposta na cultura?! Algumas considerações e sete propostas da CDU para uma nova política cultural

Fazendo fé na ideia de que uma mentira repetida muitas vezes acaba por se tornar verdade, a Câmara de Valongo vai apregoando aos quatro ventos a sua “aposta” na cultura. Mas para lá das iniciativas avulsas organizadas ao sabor do calendário eleitoral ou da agenda de inaugurações, o que fica da política cultural do executivo camarário liderado por Fernando Melo? Muito pouco. Em 2002, e segundo o Anuário Estatístico da Região Norte (INE, 2003), a Câmara de Valongo foi, de entre as câmaras municipais da Área Metropolitana do Porto, a que menos investiu em cultura (€ 3 695 000), menos até do que Espinho (€ 3 938 000), que tem menos 50 mil habitantes que o concelho de Valongo. A agravar este dado, está o facto de o investimento efectuado ter sido orientado essencialmente para grandes eventos de encher o olho, numa clara inversão daquelas que devem ser as prioridades de uma política cultural capaz de produzir efeitos duradouros e multiplicadores.
Equipado com infra-estruturas culturais de grande qualidade, o concelho de Valongo precisa agora de avançar para um patamar superior de intervenção cultural, um patamar de intervenção que permita a rentabilização das infra-estruturas existentes e aposte decisivamente na cultura feita por e para os valonguenses, no envolvimento das populações e na dinamização do tecido cultural e associativo local. É preciso abrir os centros culturais às pessoas, às escolas, transformá-los em verdadeiros espaços de produção e fruição cultural e não apenas em museus a visitar na altura das eleições, quando há exposições e espectáculos.
A formação de públicos e a efectiva democratização cultural, associadas à valorização da ligação com as escolas e as associações, constituem fundamentos basilares da nova política cultural que a CDU quer implementar no concelho de Valongo. Propomos:

1. O lançamento de um estudo de diagnóstico da situação cultural e associativa do concelho de Valongo (para fazer face à falta de informação existente), acompanhado de um estudo dos públicos para a cultura de âmbito concelhio.
2. A constituição, a partir dos resultados do diagnóstico efectuado, de um plano de acção para a cultura com um horizonte temporal alargado.
3. O reforço do apoio às associações e colectividades locais e o seu envolvimento efectivo na concepção e elaboração dos planos de actividade da Câmara Municipal para as áreas da cultura e do lazer.
4. A especialização e profissionalização da estrutura técnica da Câmara Municipal responsável pelo trabalho nesta área.
5. O reforço da ligação às escolas, não só através da promoção de actividades extra-curriculares voltadas para a formação artística e para a expressão criativa, mas também da aposta na formação de públicos e na valorização do património concelhio, das suas tradições e identidade.
6. A dinamização dos centros culturais, através da sua abertura à comunidade e do desenvolvimento de planos de actividade próprios voltados para os diversos segmentos etários da população (ateliês, cursos livres, acções de formação, intercâmbios culturais, etc.).
7. O aproveitamento e conversão de espaços degradados em espaços de cultura e lazer, a começar pelo antigo Cinema de Ermesinde, edifício a reabilitar e a transformar em Casa da Juventude e ninho de iniciativas e projectos culturais.

A Coordenadora da CDU/Valongo

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